Mogno do antigo Casarão da Rua 20 deverá ser retirado após confirmação de risco estrutural
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Um dos mais emblemáticos marcos ambientais do centro de Goiânia — o mogno brasileiro (Swietenia macrophylla King), plantado em 1958 por estudantes da então Faculdade de Direito do Estado de Goiás — será removido após laudos técnicos confirmarem risco significativo de queda.
A muda foi plantada como forma de protesto contra o desmatamento da espécie no norte do estado, hoje Tocantins. Desde então, o exemplar cresceu em frente ao antigo Casarão da Rua 20, edifício que já sediou a primeira Reitoria da Universidade Federal de Goiás, o Repositório de Música da UFG e que atualmente abriga a Casa da Memória da Justiça Federal em Goiás.
Em 1986, reconhecendo sua relevância ecológica e sua função como porta‑sementes, o então Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF), posteriormente incorporado pelo IBAMA, declarou o exemplar imune ao corte. Com a constatação recente da necessidade de extração, o IBAMA editou ato administrativo retirando a proteção especial.
Nativa do sul da Amazônia e ausente naturalmente no Cerrado, a espécie pode ultrapassar 70 anos em seu ambiente de origem. O exemplar situado na SJGO, atualmente com 66 anos, alcançou mais de 33 metros de altura e dezenas de toneladas de madeira.
Laudos técnicos
Professores da Escola de Agronomia da Universidade Federal de Goiás identificaram inclinação progressiva da árvore em direção à via pública, presença de galhos mortos, cavidades internas e densidade da madeira abaixo dos níveis recomendados (laudo da UFG neste link).
Com base nesses achados, a Seção Judiciária de Goiás convocou reunião técnica com AMMA, IBAMA, UFG, COMURG, SECULT/GO, AGU e IPHAN para apresentação do laudo e definição das providências. Também foram convidados o Ministério Público Federal (MPF) e a Associação de Egressos da UFG. Durante o encontro, foi solicitada à Agência Municipal do Meio Ambiente uma avaliação complementar.

A análise da AMMA confirmou integralmente as conclusões da UFG, indicando que a retirada da árvore é a única medida capaz de garantir a segurança de pedestres, servidores e das estruturas próximas (laudo da AMMA neste link).
Execução do serviço
A remoção está prevista para os dias 21 e 22 de fevereiro; 28 de fevereiro; e 1º, 7 e 8 de março, podendo haver ajustes decorrentes de necessidades técnicas ou operacionais.
A operação contará com apoio da COMURG e coordenação logística do NUASG, que providenciará guindastes, isolamento da área e interdição total da via durante a execução, em conformidade com os protocolos de segurança. Não haverá interrupção no fornecimento de energia elétrica, pois a Equatorial instalará rede de proteção específica para os trabalhos.
Conforme decisão administrativa da Diretoria do Foro, foi autorizada a destinação de 1 (um) metro linear do tronco à Universidade Federal de Goiás, que utilizará o material na criação de um monumento ou obra artística.
Medidas compensatórias
Como forma de compensação ambiental e em reconhecimento ao valor histórico e simbólico do exemplar, a Justiça Federal em Goiás adquiriu e doou 50 mudas da espécie à AMMA e promoverá o plantio de um ipê‑caraíba (ipê‑amarelo), espécie nativa do Cerrado e recomendada pelo órgão ambiental.
A iniciativa reafirma o compromisso institucional com a preservação ambiental, o cumprimento rigoroso dos pareceres técnicos e a proteção das pessoas que circulam diariamente no entorno da Casa da Memória. Trata‑se de ação que concilia responsabilidade pública, prudência administrativa e valorização do patrimônio histórico e ambiental da cidade.
Texto: Michelle Martins
Fotos: Enzo Carmignolli Gomes
Seção de Comunicação Social
Justiça Federal - Seção Judiciária de Goiás







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