As histórias surpreendentes dos Oficiais de Justiça de Goiás que reinventaram a Vida após a aposentadoria
- 17 de jun.
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O que acontece quando o crachá é guardado na gaveta e as ruas deixam de ser o cenário diário das diligências? Longe dos prazos e das pressões do plantão, descobrimos que a aposentadoria não é um ponto final. Ela pode ser o início de capítulos extraordinários, onde a liberdade e o recomeço estão presentes.
No Dia do Funcionário Público Aposentado, comemorado hoje (17/06), você vai descobrir histórias inspiradoras de colegas associados aposentados. Como a da colega que descobriu no tempo livre o maior propósito de sua vida! Vai cruzar o oceano com um recém-aposentado que trocou as notificações por uma imersão cultural em Malta e planos sobre duas rodas.
Também vai surpreender-se com o veterano que já carimbou o passaporte em 42 cruzeiros pelo mundo e hoje divide seu tempo entre as telas de pintura, os cavalos na fazenda e as páginas de sua autobiografia. Vai se inspirar com a sensibilidade de quem enfrentou o oficialato como um verdadeiro sacerdócio e hoje colhe as homenagens merecidas, revivendo as tradições de sua terra natal. Por fim, vai se emocionar também com o colega que dedicou quase três décadas ao ofícialato e transformou a liberdade da aposentadoria em um compromisso diário com a saúde da mente e do corpo.
Diante de trajetórias tão ricas, a Diretoria da ASSOJAF-GO faz questão de registrar seu mais profundo agradecimento. “Parabenizamos e reverenciamos cada um de nossos Oficiais de Justiça aposentados por toda a contribuição e excelência dedicadas ao longo dos anos à Justiça Federal e à Justiça do Trabalho em Goiás. Vocês construíram as bases da nossa história e continuam sendo nossa maior fonte de inspiração”, destaca a presidente da entidade, Vanessa Corrêa Vasconcelos.
Agora, prepare-se para se encantar com os rumos fascinantes que a vida pode tomar após a calmaria da aposentadoria. Conheça, a seguir, os rostos e as memórias por trás dessas trajetórias.

Luto e recomeço para Maria Coleta
A história de Maria Coleta Lopes de Barros Valente, Oficiala da Justiça Federal aposentada desde outubro de 2019, é um relato de profunda sensibilidade e fé. "A minha aposentadoria veio em boa hora, tudo no propósito de Deus", relembra. Logo após se aposentar, o mundo foi atingido pela pandemia e, em março de 2020, seu marido, Orlando, descobriu um câncer em estado avançado. Graças à aposentadoria, Maria Coleta teve o privilégio do tempo: pôde dedicar 10 meses de assistência e cuidado integral ao companheiro, com quem foi casada por 40 anos, até o momento de sua partida.
Passado o doloroso período de luto, ela se reinventou. Ativou sua OAB, concluiu uma pós-graduação em Direito de Família e Sucessões e hoje atua ativamente advogando. Entre os prazos da advocacia, ela encontra o equilíbrio perfeito na atividade física, curtindo a família, mimando os netos e viajando para visitar parentes distantes.
Maria Coleta confessa que a aposentadoria traz um certo conforto, mas que a saudade dos colegas é gigante. Ela continua firme nos grupos de WhatsApp e participa sempre que pode dos eventos da associação. E faz uma verdadeira declaração de amizade à categoria.
"Meus colegas continuam sendo a minha segunda família. Sei que são guerreiros, enfrentando um trânsito insuportável, a desvalorização da justiça e a defasagem salarial, mas continuam firmes e com muita dedicação ao trabalho.”
O tempo a favor de Euler
Aposentado em setembro de 2025, o Oficial da Justiça do Trabalho Euler Damásio Alves não perdeu tempo. Mal a portaria foi publicada, ele cruzou o oceano para realizar um primeiro projeto ousado: uma imersão completa de três meses no estudo da língua inglesa na paradisíaca ilha de Malta.
De volta ao Brasil, Euler agora planeja colocar o pé na estrada para reviver um hobby antigo: viajar de motocicleta. Também quer acompanhar mais de perto a rotina dos filhos que estudam e trabalham em outras cidades. O próximo passo profissional será reativar sua carteira da OAB para voltar a atuar na área judicial.
“O que digo sempre para meus colegas é que aproveitem o tempo. Tendo em vista que o Oficial de Justiça faz seu horário, é bastante importante aproveitar essa característica da carreira para buscar mais qualidade de vida e oportunidades de crescimento pessoal e financeiro, através de atividades que não entrem em conflito com o cargo”, diz. E complementa: “Acreditem no poder e na autonomia do cargo; a característica dessa função confere uma posição de independência e destaque profissional como poucas outras áreas.”
Como acabou de retornar do exterior, Euler está voltando a reencontrar os colegas da ativa e conta que faz questão de voltar a participar de forma mais presente das atividades da ASSOJAF-GO, o que planeja fazer a partir de agora.
42 cruzeiros e a vida plena de Osvaldo
Se alguém sabe como viver a vida intensamente após se aposentar, esse alguém é Osvaldo Rodrigues de Oliveira. Oficial de Justiça lotado na Justiça Federal em Goiás e associado à ASSOJAF-GO, ele tomou posse em 1978 e se aposentou em 2018, após 40 anos de serviços prestados ao Judiciário. Ao lado de sua esposa, Maria Augusta Menezes Oliveira, também servidora aposentada do órgão, ele inaugurou, desde então, uma nova rotina.

A aposentadoria de Osvaldo parece saída de um roteiro de cinema: ele cuida de gado, anda a cavalo e pesca em sua fazenda à beira do Rio Piracanjuba; joga tênis de mesa; arrisca-se nas artes plásticas pintando telas nas horas vagas e é um leitor voraz. Na bagagem, carrega uma marca impressionante ao lado da mulher e dos amigos: já realizou 42 viagens de cruzeiro, desbravando destinos como Alasca, Dubai, Singapura, China, Europa, além das Américas do Norte, Central e do Sul.
Como se não bastasse, Osvaldo está concluindo sua autobiografia, que está em fase final de publicação. E já adianta que está debruçado na redação de um livro de ficção baseado em fatos reais. Quem não vai querer ler essas aventuras todas?
O amor de Osvaldo pela profissão virou legado: uma de suas filhas, Teysa Rodrigues, seguiu seus passos e hoje é Oficiala de Justiça Federal em Goiânia. E para falar desse amor, ele compartilha um trecho da sua autobiografia.
"O Oficial de Justiça é o líder da ocorrência. Sua atitude tem que ser firme, mas serena. Tem que se impor como autoridade sim, estando ali como representante da Justiça (...), zelando para não ferir a dignidade da parte destinatária como pessoa, dosando suas providências ao suficiente para o êxito da diligência, porém sem demonstrar qualquer traço de insegurança ou dúvida (...). Deve agir de forma isenta, imparcial, desprovido de ímpeto vingativo, mas nunca abdicando do seu poder de autoridade."
A transição suave de Agrimualdo
Agrimualdo Damasceno Filho dedicou 28 anos e 7 meses de sua vida ao oficialato na Justiça do Trabalho, atuando sempre na cidade de Itumbiara. Aposentado recentemente, em dezembro do ano passado, ele ainda saboreia as novidades da nova rotina.

Atualmente, Agrimualdo divide seu tempo entre Itumbiara, viagens para Uberaba e sua cidade natal, Nova Ponte, em Minas Gerais, onde recentemente pôde se emocionar ao assistir, depois de muitos anos, à tradicional festa das Cavalhadas. Além disso, aproveita períodos mais longos de descanso com a esposa em seu apartamento em Caldas Novas e em praias brasileiras, “agora que os filhos já estão criados”, conta.
A transição do trabalho no Judiciário para a aposentadoria foi marcada por muito afeto. No final do ano, ele recebeu uma despedida emocionante do juiz titular com quem trabalhou por anos, Dr. Radson Rangel, e dos colegas de Itumbiara. Mais recentemente, ao fazer exames médicos no TRT, foi surpreendido com uma linda homenagem das colegas oficialas Juliana Barbacena e Juliana Pazeto, com as quais também trabalhou. “Acompanho de perto a ASSOJAF-GO, especialmente porque a colega Juliana Barbacena, com quem trabalhei muito tempo, agora faz parte da diretoria da nossa entidade. Procuro sempre fazer o que posso para colaborar com a associação”, afirma.
Para Agrimualdo, o oficialato é como um sacerdócio. “Exige paciência e resignação. Pela minha experiência anterior na Polícia Civil, eu já tinha facilidade em lidar com gente e abordagens, mas a tecnologia no fim da carreira foi um desafio que precisei estudar para superar”, conta.
Corpo e mente: a disciplina de Paulo
Em 2016, Paulo Moisés Costa, que atuou por cerca de 29 anos na Seção Judiciária do Estado de Goiás, despediu-se dos mandados e inaugurou a aposentadoria. Se para muitos a transição para a calmaria é um desafio, para Paulo, ela foi um processo natural e feliz.
Sem problemas de adaptação, ele transformou o tempo livre em um valioso aliado da longevidade. Hoje, sua rotina é preenchida por leituras instigantes, viagens eventuais e momentos preciosos ao lado da família. Mas o grande segredo de sua vitalidade está no movimento: a prática habitual de atividades físicas tornou-se um compromisso sagrado, tudo planejado dentro do propósito de manter a saúde física e mental na melhor condição possível.

Embora a rotina da vida de aposentado tenha reduzido a frequência dos encontros com os colegas da ativa, ficando o contato restrito quase que exclusivamente aos momentos de celebração e reencontro nos eventos promovidos pelas associações classistas, o carinho e o respeito pela trajetória que construiu permanecem intactos.
Para quem continua na linha de frente, enfrentando riscos e desafios, Paulo deixa uma mensagem de profunda valorização e consciência sobre o tamanho da missão do Oficial de Justiça.
"Aos bravos colegas da ativa, diria que apesar das dificuldades enfrentadas, como a questão da defasagem salarial e a eventual falta de apoio mais efetivo dos superiores, devem todos se orgulhar por pertencerem a uma categoria fundamental para a prestação jurisdicional. É a nobre atuação do Oficial de Justiça que tira o direito do papel, transformando decisões abstratas em realidade.”
Assessoria de Comunicação da ASSOJAF-GO | Ampli Comunicação













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